Publicado em 17 de Agosto de 2020
Por Pedro Falcão
Imagem: The Persistence of Memory (1931), Salvador Dali.
Compreendendo o efeito estufa
Frio. Morno. Quente. Pelando.
⚠ Aviso
Este post foi escrito originalmente em 2020 para o meu antigo blog, aJusante, mas eu modifiquei o texto em Fevereiro de 2026, para deixá-lo mais organizado e coeso: as mudanças incluem re-escrita de alguns parágrafos e mudança de posição de alguns tópicos, mas o conteúdo se mantém o mesmo. Se você quiser ver a versão original, ela está disponível neste link.
Quando eu era mais novo, brincava bastante de "quente quente frio" com meus amigos. A ideia da brincadeira era simples: uma criança escondia um objeto e depois instruia as demais sobre como achá-lo pela temperatura; quanto mais próximo do objeto alguém estivesse, mais quente era a descrição.
Eu não sei quem escondeu o quê, mas acho que nós estamos perto.
Uma pesquisa feita pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, mostrou que a temperatura da região Sudeste do país aumentou por causa de gases do efeito estufa. A extensão do Ártico tem diminuído, ano após ano, por conta das maiores temperaturas. No momento em que escrevo, a costa oeste americana, a Amazônia e o Pantanal estão em chamas.
A dimensão das perdas que estamos vivenciando em 2020 é nova, mas a causa já é bem conhecida: as mudanças climáticas. Em especial, o calor é amplamente causado pelas emissões de carbono na atmosfera, vamos entender mais a fundo o fenômeno que faz com que esses gases aquecam o planeta, O Efeito Estufa.
Bases teóricas
Temperatura e Calor
Temperatura é uma propriedade mensurável do estado de um corpo, ou seja, podemos colocar um termômetro em uma xicara de chá e descobrir que, naquele momento, a água está bem quente. Porém, se esperarmos um tempo e colocarmos o termômetro novamente no copo, vamos descobrir que essa temperatura está, num novo momento, mais baixa. A água perdeu calor.
Tudo que vemos a olhos nus é formado por moléculas, mas, embora não pareça, essas moléculas estão em constante movimento. Em sólidos elas estão agitadas, porém restritas, enquanto que, em gases, elas ficam soltas por aí. A temperatura pode ser definida justamente como esse grau de agitação.
No exemplo do chá, se perder calor significa esfriar e esfriar significa ficar menos agitado, então, o calor está relacionado com a "transferência de agitação" (no caso entre o chá e o ambiente).
Clique para expandir!
O calor é uma medida de energia em movimento. Tanto é assim, que as primeiras teorias sobre ele diziam que era um fluído invisível, o calórico, que fluía de um corpo mais quente para um mais frio. Naquela época não tinhamos o conceito das moléculas para poder explicar o fenômeno, então o calórico serviu como uma espécie de heurística.
Pense em dois bailes, ambos com o mesmo número de pessoas. No primeiro, está tocando O Novo Hit Do Verão™, todos estão na pista de dança, se mexendo muito. Já no segundo, a valsa está sendo lentamente dançada ao som das Quatro Estações de Vivaldi.
Imagine que os dois bailes são lado a lado, de forma que a música nova da Anitta, muito mais alta do que Outono, começa a ser ouvida através da parede e, quando nos damos conta, estão as duas salas dançando do mesmo jeito, ao som de Me gusta - Chamamos isso de equilíbrio térmico: dois corpos inicialmente em temperaturas diferentes, que eventualmente, se tornam isotérmicos.
#todo criar gif do processoSão três os mecanismos de transferência de calor:
- Condução: o calor é transmitido entre corpos que não estão se movimentando entre si.
- Convecção: o calor é transmitido por corpos em movimento.
- Radiação: a energia é transmitida por ondas eletromagnéticas*.
Clique para expandir!
Se você precisa refrescar a memória sobre as ondas eletromagnéticas, eu faço uma explicação bem mais completa no meu último post, sobre o 5G. Recomendo a leitura, principalmente porque vamos reaproveitar alguns conceitos aqui!
Vejamos um exemplo que contemple os três métodos de transferência de calor de uma vez: esquentar água para fazer um macarrão!
Ao ligar o fogão, uma chama é acesa. Essa chama esquenta o ar à sua volta e também esquenta o ambiente por meio da radiação de suas ondas eletromagnéticas. O ar quente entra em contato com a panela, esquentando seu fundo. O fundo quente começa a esquentar a água de dentro. Ali, começa uma dança entre a água fria e a água quente, um movimento de sobe-e-desce com troca de calor, a convecção. Aos poucos, todo o material da panela também começa a esquentar pelo mecanismo da condução, tanto é que, em panelas que não tenham um cabo com material isolante, às vezes fica difícil de segurar.
Gases
Um modelo comum para pensar nos átomos é o das bolinhas de gude. Essa proposição, feita por Dalton no século XVIV, está em muito ultrapassada, mas não deixa de ser útil para abstrair um pouco a complexidade da física quântica, quando ela não é tão relevante. Certamente é o caso nesse texto!
A água, H2O, por exemplo, é uma molécula composta por dois átomos de Hidrogênio, H, e um de Oxigênio, O. Esses átomos são ligados por Forças Intramoleculares (intra significa dentro).
Quando juntamos algumas moléculas de água, elas começam a interagir entre elas por Forças Intermoleculares (inter significa entre). A força dessas forças (
) é o que determina o estado da materia do conjunto.*
Clique para expandir!
Vale dizer que o estado da matéria é uma propriedade de um conjunto de moléculas, assim como uma andorinha não faz verão, um único átomo de água não pode ser gelo ou vapor, porque isso depende, justamente, da interação entre vários átomos.
Moleculas de água são conectadas por Pontes de Hidrogênio, um tipo de força intermolecular bastante intensa. Quando no estado sólido, a água forma um cristal que chamamos de gelo, nesse caso, as moléculas ficam com o movimento bem restrito. Se aumentarmos a temperatura, o grau de agitação maior é capaz de romper a estrutura cristalina (mantendo, porém, as pontes de hidrogênio), de forma que as moléculas ficam desorganizadas (embora ainda próximas). O vídeo abaixo mostra o processo contrário: água congelando.
Aumentando a temperatura ainda mais, a agitação é capaz de romper as pontes de hidrogênio, fazendo com que as moléculas tenham liberdade completa entre si. É isso, inclusive, que define um gás: uma agitação tão grande que as moléculas são independentes.
Tanto é que, na superfície dos planetas, se misturam de forma homogênea, formando uma camada gasosa chamada de Atmosfera. No caso da Terra, essa mistura é formada, principalmente, por Nitrogênio e Oxigênio.
| Gás | Quantidade |
|---|---|
| Nitrogênio (N2) | 78.08% |
| Oxigênio (O2) | 20.95% |
| Argônio (Ar) | 0.93% |
| Gás Carbônico (CO2) | 0.04% |
| Demais gases (H2, CH4,...) | Menos que 0.002% |
Essa composição determina muita coisa sobre o planeta. Por exemplo, o céu é azul porque os gases da nossa atmosfera polarizam a luz de uma forma que nós recebemos mais luz em frequências azuis. Se a composicão gasosa fosse diferente, o céu teria outra cor*. Os gases também interagem de forma bastante significativa com a luz por meio da absorção de energia e sua eventual liberação, um processo que chamamos de Efeito Estufa.
Clique para expandir!
Aqui vale a recomendação do ótimo texto "Why is the sky blue?" (em inglês), para entender melhor essa relação entre os gases e como eles afetam a cor do céu.
O Efeito Estufa
As estufas são aquelas casas de vidro usadas em plantações. A ideia é que a luz do sol aqueça o ambiente interno e, o ar não podendo sair, mantenha todo o calor absorvido dentro da estrutura, superando a temperatura exterior - coisa excepcionalmente desejada no inverno, quando é mais difícil plantar.
O que acontece no nosso planeta é bem parecido. A atmosfera absorve o calor do sol e depois emite essa energia aos poucos, esquentando a superfície da Terra. Sem essa camada a temperatura da superfície iria cair drasticamente durante a noite.
Mas, como qualquer um que já tenha comido três pamonhas de uma vez sabe, é possível ter o suficiente de uma coisa boa...
Desde a revolução industrial, nós estamos emitindo para a atmosfera uma quantidade muito maior de certos gases, chamados de Gases do Efeito Estufa, do que aquilo que a natureza consegue absorver. Essa maior concentração intensifica o efeito estufa e, segundo estimativas, o planeta hoje é, em média, 1.5ºC mais quente do que no período pré-industrial. Embora isso pareça pouco, já é o suficiente para destruir ecossistemas, causar extinsões em massa e, de forma geral, prejudicar a vida humana.
O Dióxido de Carbono, CO2, é um marcador da atividade humanda, porque, além de ser produto da respiração, ele também é o principal produto da Combustão. Essa é a reação que descreve desde as fogueiras, que nós domesticamos para aquecer os alimentos, até os os foguetes que mandamos para o espaço.
Emissões de $CO_2$ equivalente* ao longo dos anos.
Fonte: Próprio autor, com dados de Climate Watch (2026) processados por Our World in Data
Vale lembrar que a respiração animal ingere Oxigênio e devolve CO2 para o ambiente, enquanto que o processo de fotossíntese das plantas usa Gás Carbônico e devolve Oxigênio para a atmosfera, o inverso. Por milênios, isso formou um ciclo perfeito, mas, com o aumento do uso de motores e combustíveis fósseis, a concentração desse gás na atmosfera cresceu muito além da variação normal.
Concentração de CO2 no planeta nos últimos 800.000 anos.
Fonte: NOAA, com dados de Lüthi, et al., 2008
Todo esse gás a mais, é claro, prende mais calor na atmosfera, aumentando o efeito estufa. Mas o CO2 não é o único vilão. Embora ele seja, de fato, o mais prevalente, existem vários GEEs, que contributem com o problema de formas diferentes e por causas diferentes. O impacto deles, inclusive, costuma ser medido de forma relativa ao próprio Gás Carbônico, por meio do Potencial de Aquecimento Global, GWP.
Por exemplo, o Metano, CH4, é o Gás Natural ou o Gás de Cozinha, uma fonte de combustível fóssil com um GWP de 80, o que significa que emitir um kilograma de CH4 na atmosfera retém a mesma quantidade de calor do que 80 kgs de CO2. O maior uso desse gás é na geração de energia e de calor, ou seja, idealmente todo metano será queimado e transformado em CO2. Infelizmnete, não é o que acontece*.
Clique para expandir!
O Metano é um gás incolor e sem cheiro - aquele cheiro de gás de cozinha é adicionado artificialmente - isso significa que identificar vazamentos em plantas industriais e tubos de transmissão é uma tarefa difícil. Embora ele fique na atmosfera por muito menos tempo que o CO2, seu alto GWP faz com que seu potencial destrutivo seja muito alto. Quem quiser saber mais dessa história, eu recomendo muito o vídeo "Natural Gas Is Scamming America" do sempre ótimo, Climate Town.
Outro gás que merece uma explicação é o Vapor d'Água. Embora esse seja o GEE mais prevalente, seu tempo na atmosfera é muito baixo, rapidamente se transformando em chuva ou neve, mas isso não significa que ele seja irrelante, pois durante esse período, ele contribui com o aquecimento.
Outro ponto importante é que a umidade do ar está intimamente ligada à forma com experenciamos a temperatura. Quando a umidade do ar é muito alta, o mecanismo de resfriamento do nosso corpo, o suor, é menos efetivo, então nós sentimos mais calor. Acontece, para nossa má sorte, que ar quente consegue comportar mais água, então, conforme o efeito estufa se intensifica, a umidade do ar sobe e nossa capacidade de regular nossa temperatura é prejudicada.
Esse é um ponto essencial para entender o Efeito Estufa: o nosso planeta é um sistema dinâmico complexo e, como qualquer outro sistema complexo, existem Loops de Feedback, que contribuem com não-linearidades e ciclos que se reforçam.
Loops de Feedback
Não, ninguém senta com a Terra e começa a destacar o que ela fez de certo e de errado. Sejam duas variáveis, A e B: dizer que elas têm uma Interação Positiva significa que se A aumenta, B aumenta e se A diminui, B diminui; se, por outro lado, for uma Interação Negativa, quando A aumenta, B diminui e se A diminuir, B irá aumentar. O Loop de Feedback acontece quando essas variáveis estão em um ciclo, de forma que a mudança em uma, gera uma mudança na outra, que gera uma mudança na uma, novamente.
Vamos supor que você comece a seguir uma rotina mais organizada de estudos, isso faz com que você tire notas melhores e se sinta mais satisfeito, te ajudando, portanto, a manter a rotina de estudos: ou seja, quanto mais você segue seu plano de estudos, maiores suas notas; quanto maiores suas notas, mais você mantém seu plano de estudos. Isso é um Loop de Feedback Positivo.
Agora, imagine que você não seja muito organizado e estude conforme as notas das provas anteriores, se você estudar pouco, vai tirar notas menores, fazendo com que você estude mais, que faz com que você tire notas maiores, que faz com que você estude menos e por aí vai. Isso é um Loop de Feedback Negativo (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).
O Vapor d'Água
Voltemos, então, à questão da água. Embora o GWP do vapor seja negligenciável, justamente pelo baixíssimo tempo que a água está nesse estado, existe uma grande quantidade dele na atmosfera, fazendo com que sua contribuição não possa ser ignorada. De certa forma, o vapor serve como um amplificador da temperatura.
O ar contém uma certa quantidade de água. Conforme nós intensificamos o Efeito Estufa, essa quantidade de água aumenta (por volta de 7% para cada grau celsius). Mas, o vapor sendo, também, um GEE, intensifica o efeito estufa. Forma-se assim um Loop de Feedback Positivo.
Quanto mais quente, mais água tem na atmosfera, quanto mais água tem na atmosfera, mais quente fica, transformando a Terra em um microondas* gigante. Infelizmente, nessa analogia, nós somos o jantar.
Clique para expandir!
O microondas emite radiação eletromagnética (na frequência das, pasmem, microondas), que é absorvida pelas moléculas de água na sua comida. Elas ficam agitadas e transmitem essa energia cinética para o resto do alimento - como já discutimos, o aumento da energia cinética (agitação) nas moléculas é o aumento da temperatura.
Vale mencionar, porém, que nem toda contribuição da água é de aquecimento. Alguns tipos de nuvens (que são feitas de água) refletem a luz do sol, impedindo que a radiação seja absorvida. A contribuição da água nesse sistema todo é muito complexa e mereceria uma explicação mais detalhada. Por hora, porém, o ciclo básico do vapor serve para entender o grau do problema.
O Permafrost
No hemisfério norte, cerca de 1/4 do solo são de Permafrost, que é de terra que se mantém permantemente congelada (daí o nome). Com exceção da Camada Ativa, que descongela nos meses mais quentes, o Permafrost é impenetrável.
O Permafrost é extremamente sensível a mudanças de temperatura e pode causar danos estruturais sérios.
Fonte: Benjamin Jones, 2017.
Com o aumento da temperatura, mais permafrost se transforma em camada ativa e, como consequência, se torna permeável. Além do dano estrutural a casas que estejam construídas em permafrost, uma grande quantidade de gases e matéria orgânica que estavam presos são liberados. Isso faz com que o degelo desse solo seja um risco à saúde humana, pois pode liberar doenças desconhecidas no ar, bem como ao aquecimento global, visto que existe duas vezes mais carbono preso no permafrost do que na atmosfera.
Quanto maior a temperatura média global, maior a parcela de permafrost que se transformará em camada ativa, fazendo com que mais metano e dióxido de carbono sejam lançados na atmosfera, aumentando, assim, a temperatura média global. E o ciclo se repete.
O Albedo
Outro fator que deve ser considerado na analise das mudanças climáticas é quanto da radiação solar a Terra reflete. O albedo é uma medida de 0 a 1, que denota quão boa uma superfície é em refletir a luz solar. Talvez você nunca tenha ouvido falar desse termo, mas você o conhece bem: quando está um dia ensolarado é preferível sair com roupas claras, pois roupas escuras refletem menos luz e, portanto, absorvem mais energia*.
Clique para expandir!
Quando luz incide em um corpo, ela pode ser refletida, absorvida ou transmitida. Toda energia daquele feixe de luz vai passar por algum dos três fenômenos.
$$ E_{refletida} + E_{absorvida} + E_{transmitida} = E_{total}$$Se a transmissão é mais ou menos constante para um mesmo tipo de tecido, os outros dois parâmetros podem ser manipulados pela cor da roupa. Roupas claras refletem mais luz e, portanto, menos energia é absorvida.
A Terra é coberta por neve, que é um corpo extremamente refletivo e possui um albedo alto, entre 0,5 e 0,8, e por mar, que é praticamente um corpo negro (corpo que não reflete lux) e possui um albedo muito baixo, entre 0,02 e 0,1. O aumento da temperatura média global causa o derretimento do gelo, transformando neve (alto albedo) em água (baixo albedo) e, também, elevando o nível do mar - possivelmente cobrindo ilhas e litorais, que, mesmo tendo um albedo baixo, ainda refletem mais luz que o oceano. Ao diminuir o albedo total da Terra, aumenta a absorção e aumentam as temperaturas: o derretimento das calotas polares é mais um exemplo de Loop de Feedback Positivo.
Quanto maior a temperatura média da Terra, menor o albedo da superfície e, portanto, maior a absorção de radiação solar, aumentando, assim, a temperatura terrestre.
Com todos esses Loops de Feedback podemos perceber que, quanto mais quente o planeta fica, mais quente o planeta fica. Como todo sistema dinâmico, esse sistema pode se tornar instável e sair dos padrões pré-estabelecidos*, por isso é imprescindível reduzir o nosso impacto quanto antes.
Clique para expandir!
Esse é um texto com escopo um pouco mais limitado, então não vou desenvolver muito sobre isso, mas um tema muito importante para quem quer entender as mudanças climáticas, são os Pontos de Virada do Clima. São aqueles pontos a partir dos quais o comportamento comum do sistema muda. A imagina que normalmente é usada nesses casos é a de uma bola em um morro: quando ela é empurrada para cima o suficiente, em algum momento, ela passa o pico e começa a rolar para baixo sozinha.
Para nos mantermos no que já foi discutido, um bom exemplo é o permafrost: em um dado ponto, a temperatura média vai ser tão alta, que o permafrost vai descongelar o suficiente e ponto de liberar muito GEE na atmosfera, ativando um loop de feedback em que esse solo nunca mais irá "recongelar". Nós passaríamos do ponto de virada em que o Permafrost ia diminuir indefinidamente.
Como reverter esse quadro?
Todas as evidências apontam que a intensificação do efeito estufa é causada pela ação humana. Se, por um lado, isso é desanimador, por outro, nos coloca a responsabilidade de reverter o quadro. É normal, quando começamos a estudar sobre as mudanças climáticas, sentir o chamado Luto Climático, mas esse sentimento não pode ser avassalador, porque, sem ação, as coisas não vão melhorar. O primeiro passo nessa caminhada você já está fazendo: se informar do problema e das suas causa!
Mas não dá pra parar por aí. Um estudo, publicado em 2017, elencou as principais mudanças à nível individual que podemos tomar para reduzir nossa pegada ecológica, e qual o impacto real delas nas emissões.
A média do impacto anual projetado para determinados comportamento.
Fonte: Wynes e Nicholas, 2017.
Pode parecer um pouco fatalista, mas, como uma resposta à ele, publicada na mesma revista, bem pontuou, o artigo original tem uma contribuição importante, mas falha em considerar a plasticidade das ações - uma pessoa que vive sem carro se locomove como? Ela pode pegar carona com outras pessoas? Como as coisas que ela compra chegam até ela? - e outras complexidades, como ações de baixo impacto indivídual, mas significativas num ambito populacional (imagine que é bem mais fácil implementar uma política pública de uso de lâmpadas mais eficientes, do que a política de filho único chinesa).
O problema é global, complexo e sistêmico. Procurar por ações individuais é quase como enxugar gelo - isso, claro, quando não é pura e simplesmente propaganda e lobby, como o caso da pegada de carbono*. Reciclar e escolher eletrodomésticos mais eficientes não têm um grande impacto quando uma única pessoa faz, mas quando todo mundo faz, a coisa muda de figura. Isso, claro, deve ser feito na forma de política pública. Por isso, a contribuição individual mais importante que você pode ter é votar de forma consciente.
Clique para expandir!
Mais uma vez vale a recomendação do Climate Town, com seu vídeo Why your 'Carbon Footprint' Is A Lie. Já deu pra notar que eu sou muito fã do trabalho deles? 🥸
Mas, ao mesmo tempo, não existe um único caminho para seguir. Não é uma questão de "todo mundo ✨magicamente✨ votar direitinho" que vai dar tudo certo (mas, confesso, já ajudaria bastante 😶🌫️). Existem diferentes opiniões, mesmo no movimento ambientalista, sobre quais os próximos passos. De forma geral, queremos reduzir o impacto ambiental das ações humanas, aumentando a qualidade de vida das pessoas, mas existem várias formas de fazer essas coisas, com graus diferentes (alguns acham a questão humana mais importante, outros, a questão ambiental).
Para caracterizar esses caminhos, o Relatório Especial 15 (SR15) do IPCC sugeriu 5 cenários, baseados no trabalho sobre os "Caminhos Socioeconômicos Comuns" (SSP) de O'Neill (2017), divididos pelas dificuldades de mitigação, ou seja "quão difícil vai ser de evitar uma catástrofe climática", e de adaptação, ou seja "qual a dificuldade de se adaptar à nova realidade":
| Cenário | Dificuldade de Adaptação | Dificuldade de Mitigação | Características |
|---|---|---|---|
| Desenvolvimento Sustentável | Baixa | Baixa | Pouca gente, com alto índice de desenvolvimento. Sociedade voltada para uma vida eficiente, cooperativa e sustentável. |
| Desenvolvimento Fóssil | Baixa | Alta | Pouca gente, com alto índice de desenvolvimento. Sociedade voltada para uma vida intensa em recursos, mas cooperativa. |
| Meio do Caminho | Média | Média | População média, com índice de desenvolvimento médio. Cooperação global limitada, gerando disponibilidade de recursos média, porém desigual. |
| Desigualdade | Alta | Baixa | População média ou alta, com índice de desenvolvimento humano dependente da renda. Sociedade dividida, com países ricos concentrado tecnologia e bem estar. |
| Richas regionais | Alta | Alta | População grande, com baixos índices de desenvolvimento humano. Foco na disponibilidade de recursos regional e sem cooperação global. |
Note que esses cenários são descrições meio gerais que tentam englobar incertezas, como a dinâmica de crescimento populacional, o surgimento de novas tecnologias, a ação política, o nível de cooperação global e a mudança de atitude das pessoas. Uma forma mais visual de entender o que significam esses caminhos, é usando gráficos de algumas métricas estimadas para cada cenário.
Cenários possíveis para a evolução de: (a) População, (b) PIB mundial, (c) Demanda por energia e (d) Demanda por comida.
O cenário S1, representa Desenvolvimento Sustentável; S2, representa O Meio do Caminho; S5, representa o Desenvolvimento Fóssil; LED, representa um cenário com baixíssima demanda por energia. Os traços cinzas são todas as possibilidades, enquanto os traços azuis-claros são apenas aqueles cenários compatíveis com 1.5 C de aumento nas temperaturas médias globais.
Fonte: SR15, IPCC (2018).
Para quem nunca teve a experiência de analisar gráficos mais complexos, pode ser um pouco difícil montar a história, mas, foque nas três principais curvas, S1 (tracejada), S2 (pontilhada) e S5 (traços e pontos). A primeira representa uma transição suave, com menos gente, vivendo melhor e consumindo o suficiente (menor demanda por energia significa um estilo de vida mais sustentável, mas o aumento da demanda por comida, mesmo com menos gente, indica que as pessoas terão mais acesso aos recursos per capita); a segunda representa um cenário um pouco mais grave, com mais gente consumindo mais energia, mas sem acesso suficiente a alimentação adequada; o último cenário, com pouca gente consumindo muito quase sempre se distância das demais curvas azuis-claras, isso indica um cenário instável, em que qualquer erro no percurso pode significa não atingir o objetivo de 1.5C.
Os gráficos estão tentando mostrar em tendências aquela dificuldade de adaptação e mitigação: pode todo mundo viver bem de maneira sustentável, ou podem alguns viverem bem, por pouco tempo, terminando com todo mundo vivendo muito mal.
A escolha parece simples para mim.
Apêndices
A queima do Pantanal
Enquanto eu escrevia esse texto, começaram a chegar notícias sobre as queimadas no Pantanal. Além da perda enorme da biodiversidade de um bioma que já é um Hot Spot, as queimadas são responsáveis por cerca de 2,2 Gt de Carbono por ano globalmente. No Brasil, essa é uma das maiores fontes de poluição.
O Pantanal é a maior planície inundada do mundo, com 250 mil km² distribuidos em 3 países. Na época de chuva, o solo fica tão saturado de água que as planícies, como o próprio nome já diz, inundam, porém, na época de seca, entre abril e setembro, a região fica extremamente suscetível às queimadas, que, embora aconteçam naturalmente neste bioma, dessa vez, foram causados pela ação humana.
Não dá para afirmar que foram queimadas criminosas, visto que a agricultura e a pecuária, que são as principais atividades econômicas da região, são feitas de forma bem pouca sustentável: ao invés de se preocupar com a sustentabilidade da terra, é preferível derrubar florestas nativas e expandir sua propriedade, a partir de queimada e grilagem. É também comum a prática da coivara: a limpeza da terra por uso do fogo.
Mais de 25% da área do Pantanal já foi queimada, isso significa uma perda assustadora na biodiversidade do bioma.
Fonte: Mega, 2020.
Queimadas influenciam no microclima da região, deixando o ar mais quente e mais seco, o que aumenta a chance de queimadas. Esse loop de feedback pode fazer com que o Pantanal, um bioma extremamente rico e com espécies raras, nunca mais volte ao seu esplendor. Outras regiões também são impactadas pelas queimadas, por conta de correntes de ar que carregam a fumaça.
Às 16h do dia 01/10 o sol estava alaranjado no interior de São Paulo - indicando que a concentração de CO2 no ar estava muito alta.
Fonte: Próprio autor, 2020.
A fumaça pode gerar chuva ácida, aumentar o número de casos de problemas respiratórios na população (podendo inclusive influenciar na ação do coronavírus) e influenciar na temperatura das cidades - Aliás, já estamos quebrando recordes de calor aqui em SP, o que é ruim pra todo mundo, mas, pior ainda para os mais pobres.
Remoção de Dióxido de Carbono da Atmosfera
Talvez você esteja pensando: Espera aí, então você tá me dizendo que existe uma forma de remover carbono da atmosfera e isso virou só uma nota de roda-pé?
A realidade é que essas tecnologias são primitivas ou limitadas em efeito, mas, realmente, eu não poderia escrever sobre o efeito estufa, sem mencionar os métodos de Remoção de Dióxido de Carbono (CDR) que são, como o nome já diz, métodos de remoção de dióxido de carbono da atmosfera (eu sei, chocante).
Existem os métodos "clássicos" e intuitivos, como plantar mais árvores ou substituir combustíveis fósseis por biocombustíveis, que aproveitam da fotossíntese para guardar carbono atmosférico na biomassa das plantas. Essas opções, embora importantes, têm um efeito limitado, podendo gerar uma remoção entre 1 e 6 Gt CO2 por ano.
Existem outros métodos, menos intuitivos, que aceleram processos naturais para que eles removam mais carbono, como a adição de biochar ao solo, para aumentar o sequestro natural de CO2 pela terra, e incentivar a alcalinização do oceano, que teria um efeito duplo, também combatendo a acidifação do oceano. Esses pontos começam a entrar na seara da Engenharia Climática, que é uma prática controversa.
Mas eu deixei pro final, o ponto que provavelmente é o que você estava pensando: uma Tecnologia Revolucionária que vai Resolver Todos Nossos ProblemasTM. Um nome mais geral (e menos irônico) são os métodos de Captura e Armazenamentos de Dióxido de Carbono Direto do Ar:
Essas tecnologias normalmente tên três partes: um ventilador, que puxa ar para dentro de um volume controlado, um filtro, que reage com CO2 para removê-lo do ar, e uma bomba, para mandar uma solução líquida do gás para baixo da terra. É realmente revolucionário... O único problema é que ainda não funciona.
A IEA considera que ainda é preciso mais esforço para que essas tecnolgias sejam realmente relevantes no cenário, mas, a maioria delas ainda está em fase de desenvolvimento, tirando apenas uma fração do que foi prometido da atmosfera. Enquanto essa tecnologia dá passos de minhoca, as emissões aumentam à passos de leão.
A verdade é que não existe bala de prata, esse problema é multifacetado e toda ajuda é bem-vinda, mas não dá pra pensar nas NET como um Deus Ex Machina. Não dá para continuar tudo como está e esperar que a humindade invente algo que vai solucionar o problema sem que nós mudemos nosso estilo de vida.
Referências
LIENHARD, J. H. A heat transfer textbook. Mineola: Dover Publications, Inc, 2019.
KLEIN, S. A.; NELLIS, G. Thermodynamics. Cambridge: Cambridge University Press, 2012.
ATKINS, P. W.; JULIO DE PAULA; KEELER, J. Atkins’ Physical chemistry : thermodynamics and kinetics. Oxford, United Kingdom ; New York, Ny: Oxford University Press, 2018.
NOAA. The Atmosphere. Disponível em: https://www.noaa.gov/jetstream/atmosphere. Acesso em: 13 de Janeiro de 2026.
Greenhouse gas concentrations | Copernicus. Disponível em: https://climate.copernicus.eu/climate-indicators/greenhouse-gas-concentrations. Acesso em: 13 de Janeiro de 2026.
NASA. Steamy Relationships: How Atmospheric Water Vapor Amplifies Earth’s Greenhouse Effect. Disponível em: https://science.nasa.gov/earth/climate-change/steamy-relationships-how-atmospheric-water-vapor-amplifies-earths-greenhouse-effect/. Acesso em: 06 de Fevereiro de 2026.
A frozen land goes green as Earth warms. Nature, v. 586, n. 7827, p. 11–11, 22 set. 2020. Disponível em: ,https://www.nature.com/articles/d41586-020-02689-4. Acesso em: 06 de Fevereiro de 2026.
NASA. Climate Science Investigations South Florida - Energy: The Driver of Climate. Disponível em: https://www.ces.fau.edu/nasa/module-2/how-greenhouse-effect-works.php. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
JOSÉ GOLDEMBERG; LUCON, O. Energia, meio ambiente e desenvolvimento. [s.l.] São Paulo Edusp, 2012.
IPCC. Global Warming of 1.5 oC. Disponível em: https://www.ipcc.ch/sr15/. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
Policy Implications of Warming Permafrost, UNEP
STEPHEN HENRY SCHNEIDER. Encyclopedia of climate and weather. New York: Oxford University Press, 2011.
NASA - Water Vapor Confirmed as Major Player in Climate Change. Disponível em: https://web.archive.org/web/20200821100646/https://www.nasa.gov/topics/earth/features/vapor_warming.html. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
IPCC, 2014: Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change [Edenhofer, O., R. Pichs-Madruga, Y. Sokona, E. Farahani, S. Kadner, K. Seyboth, A. Adler, I. Baum, S. Brunner, P. Eickemeier, B. Kriemann, J. Savolainen, S. Schlömer, C. von Stechow, T. Zwickel and J.C. Minx (eds.)]. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA.
WYNES, S.; NICHOLAS, K. A. The Climate Mitigation gap: Education and Government Recommendations Miss the Most Effective Individual Actions. Environmental Research Letters, v. 12, n. 7, p. 074024, 1 jul. 2017.
Rogelj, J., D. Shindell, K. Jiang, S. Fifita, P. Forster, V. Ginzburg, C. Handa, H. Kheshgi, S. Kobayashi, E. Kriegler, L. Mundaca, R. Séférian, and M.V. Vilariño, 2018: Mitigation Pathways Compatible with 1.5°C in the Context of Sustainable Development. In: Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty [Masson-Delmotte, V., P. Zhai, H.-O. Pörtner, D. Roberts, J. Skea, P.R. Shukla, A. Pirani, W. Moufouma-Okia, C. Péan, R. Pidcock, S. Connors, J.B.R. Matthews, Y. Chen, X. Zhou, M.I. Gomis, E. Lonnoy, T. Maycock, M. Tignor, and T. Waterfield (eds.)]. In Press. Disponível em: https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/sites/2/2019/02/SR15_Chapter2_Low_Res.pdf. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
SUÇUARANA, M. DA S. Pantanal - Biomas. Disponível em: https://www.infoescola.com/biomas/pantanal/. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
MEGA, E. R. “Apocalyptic” fires are ravaging the world’s largest tropical wetland. Nature, v. 586, n. 7827, p. 20–21, 25 set. 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/d41586-020-02716-4. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
HERTON ESCOBAR. Desmatamento da Amazônia dispara de novo em 2020. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/desmatamento-da-amazonia-dispara-de-novo-em-2020/. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
Jia, G., E. Shevliakova, P. Artaxo, N. De Noblet-Ducoudré, R. Houghton, J. House, K. Kitajima, C. Lennard, A. Popp, A. Sirin, R. Sukumar, L. Verchot, 2019: Land–climate interactions. In: Climate Change and Land: an IPCC special report on climate change, desertification, land degradation, sustainable land management, food security, and greenhouse gas fluxes in terrestrial ecosystems [P.R. Shukla, J. Skea, E. Calvo Buendia, V. Masson-Delmotte, H.-O. Pörtner, D.C. Roberts, P. Zhai, R. Slade, S. Connors, R. van Diemen, M. Ferrat, E. Haughey, S. Luz, S. Neogi, M. Pathak, J. Petzold, J. Portugal Pereira, P. Vyas, E. Huntley, K. Kissick, M, Belkacemi, J. Malley, (eds.)]. In press. Disponível em: https://digitallibrary.un.org/record/3893424?v=pdf. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
e Coninck, H., A. Revi, M. Babiker, P. Bertoldi, M. Buckeridge, A. Cartwright, W. Dong, J. Ford, S. Fuss, J.-C. Hourcade, D. Ley, R. Mechler, P. Newman, A. Revokatova, S. Schultz, L. Steg, and T. Sugiyama, 2018: Strengthening and Implementing the Global Response. In: Global Warming of 1.5°C. An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty [Masson-Delmotte, V., P. Zhai, H.-O. Pörtner, D. Roberts, J. Skea, P.R. Shukla, A. Pirani, W. Moufouma-Okia, C. Péan, R. Pidcock, S. Connors, J.B.R. Matthews, Y. Chen, X. Zhou, M.I. Gomis, E. Lonnoy, T. Maycock, M. Tignor, and T. Waterfield (eds.)]. In Press. Disponível em: https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/sites/2/2022/06/SR15_Chapter_4_LR.pdf. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
FOSTER, J. 4 ways carbon capture can help fight climate change. Disponível em: https://vitalsigns.edf.org/story/4-ways-carbon-capture-can-help-fight-climate-change. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
Technologies That Remove Carbon Dioxide From Air and Sequester It Need to Play a Large Role in Mitigating Climate Change, Says New Report. Disponível em: https://www.nationalacademies.org/news/technologies-that-remove-carbon-dioxide-from-air-and-sequester-it-need-to-play-a-large-role-in-mitigating-climate-change-says-new-report.Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
FRIEDMANN, S. J. Engineered CO2 Removal, Climate Restoration, and Humility. Frontiers in Climate, v. 1, 26 jul. 2019.
FERREIRA, I. Plantio de árvores não pode ser panaceia para solução de problemas ambientais. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/plantio-de-arvores-nao-pode-ser-panaceia-para-solucao-de-problemas-ambientais/. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.
QUE, C. Químicos buscam transformar CO2 que iria para atmosfera em produtos de valor. Disponível em: https://jornal.usp.br/ciencias/quimicos-buscam-transformar-co2-que-iria-para-atmosfera-em-produtos-de-valor. Acesso em: 07 de Fevereiro de 2026.